"Sou psicóloga, com formação em clínica psicanalítica; trabalho há mais de trinta anos acolhendo, estudando e tratando do sofrimento humano; tenho plena consciência de que quando chegamos aos sessenta anos, temos a tendência egoísta de acharmos que o "mundo está perdido", que o "fim do mundo" está próximo e costumo dizer que "nós" sim, estamos chegando ao fim de nossos tempos sempre tão efêmeros.
Entretanto, jamais assistí ao sofrimento na forma tão cruel, tão devastadora, tão desumanizante como ora conheço. Não estou falando de idosos compartilhando a nostalgia do antigo e aconchegante mundo de suas juventudes.
Refiro-me a jovens brilhantes, dilacerados pelas relações líquidas*, rudes em sua banalidade, vazias em suas buscas, inóspitas em suas incertezas à chegada do "outro".
Enquanto isso, há os otimistas de plantão que já não reconhecem a diferença entre o "novo" e a "novidade", entre o "fake" e o verdadeiro, até porque estes temas tornaram-se anacrônicos ou obsoletos, coisa de saudosista com medo da morte...
Cinismo ou Ingenuidade?"
*Cf. expressão usada pelo Prof.Dr. Ricardo Timm de Souza em seu livro "Existência em Decisão".
*Cf. o sociólogo Bauman, Zigmunt.
Ana Mariza
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