sexta-feira, 9 de março de 2012

"Diferenças...(6)

                "O homem judeu tem sobre sua cabeça, o Mistério...

                        O homem grego tem sobre a cabeça, o conceito...

Quando se tem sobre a cabeça o Mistério, nós nos dobramos e então refletimos

sobre nós mesmos..."
                                                   Glória Hazan, psicóloga e Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP.




        

domingo, 15 de janeiro de 2012

"Diferenças..." (5)

           "Certo dia, conversando com um amigo citei uma frase do filósofo Gaston Bachelard que me parece resumir de forma poética o grito angustiado do ser humano:  "Percebo afundando, que a única verdade do homem, é ser uma súplica sem resposta."  Bem, ele não concordou tendo como base o fato de que, segundo seu entendimento,  Deus responde as súplicas humanas... Lembrei-lhe então que "homem algum busca a Deus", além do que, o homem visto à sombra do Inconsciente, não sabe o que lhe falta e  é com grande dificuldade frequentemente que sustenta a realização do que busca.
            Daí, penso eu, raramente Deus responde às nossas súplicas; conhecedor verdadeiramente de Sua criação, Ele nos "sonda"e somente quando em profunda comunhão, reconhecemos Sua vontade e dela fazemos nossa súplica, Deus nos cobre com Sua providência,  misericórdia,  justiça e principalmente Seu infinito Amor.
            "Deleite-se no Senhor e Ele responderá a todos os desejos de seu coração" diz o Salmo ...mas pergunto eu,  quando alguém se deleita no Senhor, existirá outro desejo senão sentir Sua paz?
Buscar o Reino de Deus e sua justiça...

domingo, 27 de novembro de 2011

"Sobre o Fogo" (1)

                     " Mantenha-se o fogo continuamente aceso no altar;  não deve ser   apagado."   
                                    Livro de Levítico, cap. 6,  vs. 13

"Se não há silêncio, não há religião"

                 "Se  não há silêncio  para além e dentro de palavras de doutrina, não há religião, apenas ideologia religiosa.  Isto porque a religião vai além das palavras e ações, e atinge a verdade última no silêncio.   Quando falta esse silêncio, onde existem apenas as "muitas palavras" e não  A Palavra há muito alvoroço e atividade,  mas nenhuma paz, nenhum pensamento profundo, nenhuma compreensão, nenhuma quietude interior. Quando não há  paz, não há luz. A mente hiperativa tem a impressão de ser desperta e produtiva, mas isto é um sonho.  Apenas  no silêncio e na  adoração na  qual todo o ego silencia  e se humilha na presença do Deus Invisível, só nessas "atividades" que são "não-ações" o espírito realmente desperta do sonho de uma existência dividida e confusa."                                                                   
                      Thomas  Merton

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

"Cinismo ou Ingenuidade?" ( *)

                   "Sou psicóloga, com formação em clínica psicanalítica; trabalho há mais de trinta anos acolhendo, estudando e tratando do sofrimento humano; tenho plena consciência de que quando chegamos aos sessenta anos, temos a tendência egoísta de acharmos que o "mundo está perdido", que o "fim do mundo" está próximo e costumo dizer que "nós" sim, estamos chegando ao fim de nossos tempos sempre tão efêmeros.
                          Entretanto,  jamais assistí ao sofrimento na forma tão cruel, tão devastadora, tão desumanizante como ora conheço.  Não estou falando de idosos compartilhando a nostalgia do antigo e aconchegante mundo de suas juventudes.
                        Refiro-me a jovens brilhantes, dilacerados pelas relações líquidas*, rudes em sua banalidade, vazias em suas buscas, inóspitas em suas incertezas à chegada do "outro".
                       Enquanto isso, há os otimistas de plantão que já não reconhecem a diferença entre o "novo" e a "novidade", entre o "fake" e o verdadeiro, até porque estes temas tornaram-se anacrônicos ou obsoletos, coisa de saudosista com medo da morte...
                       Cinismo ou Ingenuidade?"
                       
*Cf. expressão usada pelo Prof.Dr. Ricardo Timm de Souza em     seu  livro  "Existência em Decisão".  
                                                       
*Cf. o sociólogo Bauman, Zigmunt.
                                                                         Ana Mariza
                                                                           

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

"Sobre o tempo..."

                      "O tempo nos dá o estar, o participar, compartilhar... nos dá enfim aquilo que chamamos de existência... Existir é ser na temporalidade, no provisório, no efêmero... Mas e ser? O ser é mistério profundo, (é o queira, não queira, são as águas de março  fechando o verão...)*, enigma que só conseguimos no máximo, o deslumbramento, se pelo menos tivermos tempo para isso!  Este ano,houve um fenômeno lunar que só acontece em períodos cujo intervalo é muito longo...Perguntei há várias pessoas, se haviam visto; me disseram que não, com uma certa expressão de quem não olha acima do sinal de trânsito!
                    Que maravilha é um Deus tão misericordioso"

* Tom Jobim                                                                
                                                         Ana Mariza                        

domingo, 23 de outubro de 2011

"Equívocos"

                  "Nossas almas são um prisma por onde percebemos, interpretamos e concebemos a realidade; as palavras que ouvimos e aprendemos, são a base de nossos pensamentos; foram apreendidas de modo muito singular, envoltas em afetos, emoções e gestos familiares.   Falamos a mesma língua, mas damos significados diferentes às palavras, como se   possuíssemos um dialeto próprio e sem a menor consciência deste processo, erguemos nossas certezas, as quais apenas nos servem de âncoras, que nos afastam e nos distanciam do Outro em sua radical estranheza, em sua absoluta diferença. Assim, compartilhamos (?) experiências e nos comunicamos (?), e não percebemos que somos poemas:  eis então  que demandamos  sentido e compreensão como se a poesia tivesse que se transformar em prosa, em conhecimento, ocupando cada pedaço da página, cada vazio de significação, cada enigma do ser."
(Ver conceitos de "equivocité" e "verdades locais" do filósofo francês Blaise Pascal no livro "Conhecimento na Desgraça" do Prof. Luiz Felipe Pondé)
                                     
                                       Ana Mariza