"Equívocos"
"Nossas almas são um prisma por onde percebemos, interpretamos e concebemos a realidade; as palavras que ouvimos e aprendemos, são a base de nossos pensamentos; foram apreendidas de modo muito singular, envoltas em afetos, emoções e gestos familiares. Falamos a mesma língua, mas damos significados diferentes às palavras, como se possuíssemos um dialeto próprio e sem a menor consciência deste processo, erguemos nossas certezas, as quais apenas nos servem de âncoras, que nos afastam e nos distanciam do Outro em sua radical estranheza, em sua absoluta diferença. Assim, compartilhamos (?) experiências e nos comunicamos (?), e não percebemos que somos poemas: eis então que demandamos sentido e compreensão como se a poesia tivesse que se transformar em prosa, em conhecimento, ocupando cada pedaço da página, cada vazio de significação, cada enigma do ser."
(Ver conceitos de "equivocité" e "verdades locais" do filósofo francês Blaise Pascal no livro "Conhecimento na Desgraça" do Prof. Luiz Felipe Pondé)
Ana Mariza
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