" Mantenha-se o fogo continuamente aceso no altar; não deve ser apagado."
Livro de Levítico, cap. 6, vs. 13
Este blog destina-se àqueles que pretendem "sair de suas tendas", do arrogante "mim mesmo/a", e caminhar pelas sendas da razão sensível, deixando para trás o pensamento conceitual, o medo do não-ser, peregrinando em busca da justiça.
domingo, 27 de novembro de 2011
"Se não há silêncio, não há religião"
"Se não há silêncio para além e dentro de palavras de doutrina, não há religião, apenas ideologia religiosa. Isto porque a religião vai além das palavras e ações, e atinge a verdade última no silêncio. Quando falta esse silêncio, onde existem apenas as "muitas palavras" e não A Palavra há muito alvoroço e atividade, mas nenhuma paz, nenhum pensamento profundo, nenhuma compreensão, nenhuma quietude interior. Quando não há paz, não há luz. A mente hiperativa tem a impressão de ser desperta e produtiva, mas isto é um sonho. Apenas no silêncio e na adoração na qual todo o ego silencia e se humilha na presença do Deus Invisível, só nessas "atividades" que são "não-ações" o espírito realmente desperta do sonho de uma existência dividida e confusa."
Thomas Merton
Thomas Merton
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
"Cinismo ou Ingenuidade?" ( *)
"Sou psicóloga, com formação em clínica psicanalítica; trabalho há mais de trinta anos acolhendo, estudando e tratando do sofrimento humano; tenho plena consciência de que quando chegamos aos sessenta anos, temos a tendência egoísta de acharmos que o "mundo está perdido", que o "fim do mundo" está próximo e costumo dizer que "nós" sim, estamos chegando ao fim de nossos tempos sempre tão efêmeros.
Entretanto, jamais assistí ao sofrimento na forma tão cruel, tão devastadora, tão desumanizante como ora conheço. Não estou falando de idosos compartilhando a nostalgia do antigo e aconchegante mundo de suas juventudes.
Refiro-me a jovens brilhantes, dilacerados pelas relações líquidas*, rudes em sua banalidade, vazias em suas buscas, inóspitas em suas incertezas à chegada do "outro".
Enquanto isso, há os otimistas de plantão que já não reconhecem a diferença entre o "novo" e a "novidade", entre o "fake" e o verdadeiro, até porque estes temas tornaram-se anacrônicos ou obsoletos, coisa de saudosista com medo da morte...
Cinismo ou Ingenuidade?"
*Cf. expressão usada pelo Prof.Dr. Ricardo Timm de Souza em seu livro "Existência em Decisão".
*Cf. o sociólogo Bauman, Zigmunt.
Ana Mariza
Entretanto, jamais assistí ao sofrimento na forma tão cruel, tão devastadora, tão desumanizante como ora conheço. Não estou falando de idosos compartilhando a nostalgia do antigo e aconchegante mundo de suas juventudes.
Refiro-me a jovens brilhantes, dilacerados pelas relações líquidas*, rudes em sua banalidade, vazias em suas buscas, inóspitas em suas incertezas à chegada do "outro".
Enquanto isso, há os otimistas de plantão que já não reconhecem a diferença entre o "novo" e a "novidade", entre o "fake" e o verdadeiro, até porque estes temas tornaram-se anacrônicos ou obsoletos, coisa de saudosista com medo da morte...
Cinismo ou Ingenuidade?"
*Cf. expressão usada pelo Prof.Dr. Ricardo Timm de Souza em seu livro "Existência em Decisão".
*Cf. o sociólogo Bauman, Zigmunt.
Ana Mariza
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
"Sobre o tempo..."
"O tempo nos dá o estar, o participar, compartilhar... nos dá enfim aquilo que chamamos de existência... Existir é ser na temporalidade, no provisório, no efêmero... Mas e ser? O ser é mistério profundo, (é o queira, não queira, são as águas de março fechando o verão...)*, enigma que só conseguimos no máximo, o deslumbramento, se pelo menos tivermos tempo para isso! Este ano,houve um fenômeno lunar que só acontece em períodos cujo intervalo é muito longo...Perguntei há várias pessoas, se haviam visto; me disseram que não, com uma certa expressão de quem não olha acima do sinal de trânsito!
Que maravilha é um Deus tão misericordioso"
* Tom Jobim
Ana Mariza
Que maravilha é um Deus tão misericordioso"
* Tom Jobim
Ana Mariza
domingo, 23 de outubro de 2011
"Equívocos"
"Nossas almas são um prisma por onde percebemos, interpretamos e concebemos a realidade; as palavras que ouvimos e aprendemos, são a base de nossos pensamentos; foram apreendidas de modo muito singular, envoltas em afetos, emoções e gestos familiares. Falamos a mesma língua, mas damos significados diferentes às palavras, como se possuíssemos um dialeto próprio e sem a menor consciência deste processo, erguemos nossas certezas, as quais apenas nos servem de âncoras, que nos afastam e nos distanciam do Outro em sua radical estranheza, em sua absoluta diferença. Assim, compartilhamos (?) experiências e nos comunicamos (?), e não percebemos que somos poemas: eis então que demandamos sentido e compreensão como se a poesia tivesse que se transformar em prosa, em conhecimento, ocupando cada pedaço da página, cada vazio de significação, cada enigma do ser."
(Ver conceitos de "equivocité" e "verdades locais" do filósofo francês Blaise Pascal no livro "Conhecimento na Desgraça" do Prof. Luiz Felipe Pondé)
(Ver conceitos de "equivocité" e "verdades locais" do filósofo francês Blaise Pascal no livro "Conhecimento na Desgraça" do Prof. Luiz Felipe Pondé)
Ana Mariza
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
"Porque a Poesia"
"...Por influxo desse excesso e abundância envolvendo a experiência mística, a linguagem percebe-se portadora de uma precariedade que lhe é inerente, mas nem sempre tematizada. Portanto, no afã de traduzir em linguagem a experência mística, João da Cruz depara-se com a inadequeção de seu vocabulário, que, diante do Mistério, é escasso. E aqui entra sua originalidade e criatividade para corresponder à sua "impossibilidade de calar".Sua palavra poética tem, portanto, "a força, o poder de fazer visível o que é invisível sem apoderar-se dele. Alojar o inefável no discurso: daí a máxima audácia e o paradoxo do místico."(37)..."
in A Mística do Coração
de Carlos Frederico Barboza de Souza
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
"Diferenças..."(4)
"Dentre nós, alguns psicanalistas costumam dizer que quando Pedro fala de João, fala mais de Pedro do que de João. Melhor dizendo: é frequente projetarmos sobre os outros o que não sabemos de nós mesmos. O orgulho e a frágil "segurança" entretanto de nossa racionalidade, não permite que vejamos com bons olhos a idéia de que muito do que somos foge a nossa consciência e portanto ao nosso domínio.
O apóstolo Paulo numa de suas mais belas epístolas, destinada aos Romanos, ele escreve: "...o bem que quero não faço e o mal que não quero, esse eu pratico..."
Fico pensando como a vida poderia ser mais tranquila se, entre outras coisas, fôssemos um pouco mais humildes diante de nós mesmos e como desdobramento, seríamos bem mais tolerantes com o próximo. Aceitando nossas contradições, nossa dificuldade de amar e se deixar amar, nossas falhas, nossa miserável condição, talvez julgássemos menos os outros e conseguíssemos ser mais generosos com nossa própria espécie."
Ana Mariza
O apóstolo Paulo numa de suas mais belas epístolas, destinada aos Romanos, ele escreve: "...o bem que quero não faço e o mal que não quero, esse eu pratico..."
Fico pensando como a vida poderia ser mais tranquila se, entre outras coisas, fôssemos um pouco mais humildes diante de nós mesmos e como desdobramento, seríamos bem mais tolerantes com o próximo. Aceitando nossas contradições, nossa dificuldade de amar e se deixar amar, nossas falhas, nossa miserável condição, talvez julgássemos menos os outros e conseguíssemos ser mais generosos com nossa própria espécie."
Ana Mariza
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