"O homem judeu tem sobre sua cabeça, o Mistério...
O homem grego tem sobre a cabeça, o conceito...
Quando se tem sobre a cabeça o Mistério, nós nos dobramos e então refletimos
sobre nós mesmos..."
Glória Hazan, psicóloga e Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP.
Este blog destina-se àqueles que pretendem "sair de suas tendas", do arrogante "mim mesmo/a", e caminhar pelas sendas da razão sensível, deixando para trás o pensamento conceitual, o medo do não-ser, peregrinando em busca da justiça.
sexta-feira, 9 de março de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
"Diferenças..." (5)
"Certo dia, conversando com um amigo citei uma frase do filósofo Gaston Bachelard que me parece resumir de forma poética o grito angustiado do ser humano: "Percebo afundando, que a única verdade do homem, é ser uma súplica sem resposta." Bem, ele não concordou tendo como base o fato de que, segundo seu entendimento, Deus responde as súplicas humanas... Lembrei-lhe então que "homem algum busca a Deus", além do que, o homem visto à sombra do Inconsciente, não sabe o que lhe falta e é com grande dificuldade frequentemente que sustenta a realização do que busca.
Daí, penso eu, raramente Deus responde às nossas súplicas; conhecedor verdadeiramente de Sua criação, Ele nos "sonda"e somente quando em profunda comunhão, reconhecemos Sua vontade e dela fazemos nossa súplica, Deus nos cobre com Sua providência, misericórdia, justiça e principalmente Seu infinito Amor.
"Deleite-se no Senhor e Ele responderá a todos os desejos de seu coração" diz o Salmo ...mas pergunto eu, quando alguém se deleita no Senhor, existirá outro desejo senão sentir Sua paz?
Buscar o Reino de Deus e sua justiça...
Daí, penso eu, raramente Deus responde às nossas súplicas; conhecedor verdadeiramente de Sua criação, Ele nos "sonda"e somente quando em profunda comunhão, reconhecemos Sua vontade e dela fazemos nossa súplica, Deus nos cobre com Sua providência, misericórdia, justiça e principalmente Seu infinito Amor.
"Deleite-se no Senhor e Ele responderá a todos os desejos de seu coração" diz o Salmo ...mas pergunto eu, quando alguém se deleita no Senhor, existirá outro desejo senão sentir Sua paz?
Buscar o Reino de Deus e sua justiça...
domingo, 27 de novembro de 2011
"Sobre o Fogo" (1)
" Mantenha-se o fogo continuamente aceso no altar; não deve ser apagado."
Livro de Levítico, cap. 6, vs. 13
Livro de Levítico, cap. 6, vs. 13
"Se não há silêncio, não há religião"
"Se não há silêncio para além e dentro de palavras de doutrina, não há religião, apenas ideologia religiosa. Isto porque a religião vai além das palavras e ações, e atinge a verdade última no silêncio. Quando falta esse silêncio, onde existem apenas as "muitas palavras" e não A Palavra há muito alvoroço e atividade, mas nenhuma paz, nenhum pensamento profundo, nenhuma compreensão, nenhuma quietude interior. Quando não há paz, não há luz. A mente hiperativa tem a impressão de ser desperta e produtiva, mas isto é um sonho. Apenas no silêncio e na adoração na qual todo o ego silencia e se humilha na presença do Deus Invisível, só nessas "atividades" que são "não-ações" o espírito realmente desperta do sonho de uma existência dividida e confusa."
Thomas Merton
Thomas Merton
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
"Cinismo ou Ingenuidade?" ( *)
"Sou psicóloga, com formação em clínica psicanalítica; trabalho há mais de trinta anos acolhendo, estudando e tratando do sofrimento humano; tenho plena consciência de que quando chegamos aos sessenta anos, temos a tendência egoísta de acharmos que o "mundo está perdido", que o "fim do mundo" está próximo e costumo dizer que "nós" sim, estamos chegando ao fim de nossos tempos sempre tão efêmeros.
Entretanto, jamais assistí ao sofrimento na forma tão cruel, tão devastadora, tão desumanizante como ora conheço. Não estou falando de idosos compartilhando a nostalgia do antigo e aconchegante mundo de suas juventudes.
Refiro-me a jovens brilhantes, dilacerados pelas relações líquidas*, rudes em sua banalidade, vazias em suas buscas, inóspitas em suas incertezas à chegada do "outro".
Enquanto isso, há os otimistas de plantão que já não reconhecem a diferença entre o "novo" e a "novidade", entre o "fake" e o verdadeiro, até porque estes temas tornaram-se anacrônicos ou obsoletos, coisa de saudosista com medo da morte...
Cinismo ou Ingenuidade?"
*Cf. expressão usada pelo Prof.Dr. Ricardo Timm de Souza em seu livro "Existência em Decisão".
*Cf. o sociólogo Bauman, Zigmunt.
Ana Mariza
Entretanto, jamais assistí ao sofrimento na forma tão cruel, tão devastadora, tão desumanizante como ora conheço. Não estou falando de idosos compartilhando a nostalgia do antigo e aconchegante mundo de suas juventudes.
Refiro-me a jovens brilhantes, dilacerados pelas relações líquidas*, rudes em sua banalidade, vazias em suas buscas, inóspitas em suas incertezas à chegada do "outro".
Enquanto isso, há os otimistas de plantão que já não reconhecem a diferença entre o "novo" e a "novidade", entre o "fake" e o verdadeiro, até porque estes temas tornaram-se anacrônicos ou obsoletos, coisa de saudosista com medo da morte...
Cinismo ou Ingenuidade?"
*Cf. expressão usada pelo Prof.Dr. Ricardo Timm de Souza em seu livro "Existência em Decisão".
*Cf. o sociólogo Bauman, Zigmunt.
Ana Mariza
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
"Sobre o tempo..."
"O tempo nos dá o estar, o participar, compartilhar... nos dá enfim aquilo que chamamos de existência... Existir é ser na temporalidade, no provisório, no efêmero... Mas e ser? O ser é mistério profundo, (é o queira, não queira, são as águas de março fechando o verão...)*, enigma que só conseguimos no máximo, o deslumbramento, se pelo menos tivermos tempo para isso! Este ano,houve um fenômeno lunar que só acontece em períodos cujo intervalo é muito longo...Perguntei há várias pessoas, se haviam visto; me disseram que não, com uma certa expressão de quem não olha acima do sinal de trânsito!
Que maravilha é um Deus tão misericordioso"
* Tom Jobim
Ana Mariza
Que maravilha é um Deus tão misericordioso"
* Tom Jobim
Ana Mariza
domingo, 23 de outubro de 2011
"Equívocos"
"Nossas almas são um prisma por onde percebemos, interpretamos e concebemos a realidade; as palavras que ouvimos e aprendemos, são a base de nossos pensamentos; foram apreendidas de modo muito singular, envoltas em afetos, emoções e gestos familiares. Falamos a mesma língua, mas damos significados diferentes às palavras, como se possuíssemos um dialeto próprio e sem a menor consciência deste processo, erguemos nossas certezas, as quais apenas nos servem de âncoras, que nos afastam e nos distanciam do Outro em sua radical estranheza, em sua absoluta diferença. Assim, compartilhamos (?) experiências e nos comunicamos (?), e não percebemos que somos poemas: eis então que demandamos sentido e compreensão como se a poesia tivesse que se transformar em prosa, em conhecimento, ocupando cada pedaço da página, cada vazio de significação, cada enigma do ser."
(Ver conceitos de "equivocité" e "verdades locais" do filósofo francês Blaise Pascal no livro "Conhecimento na Desgraça" do Prof. Luiz Felipe Pondé)
(Ver conceitos de "equivocité" e "verdades locais" do filósofo francês Blaise Pascal no livro "Conhecimento na Desgraça" do Prof. Luiz Felipe Pondé)
Ana Mariza
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
"Porque a Poesia"
"...Por influxo desse excesso e abundância envolvendo a experiência mística, a linguagem percebe-se portadora de uma precariedade que lhe é inerente, mas nem sempre tematizada. Portanto, no afã de traduzir em linguagem a experência mística, João da Cruz depara-se com a inadequeção de seu vocabulário, que, diante do Mistério, é escasso. E aqui entra sua originalidade e criatividade para corresponder à sua "impossibilidade de calar".Sua palavra poética tem, portanto, "a força, o poder de fazer visível o que é invisível sem apoderar-se dele. Alojar o inefável no discurso: daí a máxima audácia e o paradoxo do místico."(37)..."
in A Mística do Coração
de Carlos Frederico Barboza de Souza
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
"Diferenças..."(4)
"Dentre nós, alguns psicanalistas costumam dizer que quando Pedro fala de João, fala mais de Pedro do que de João. Melhor dizendo: é frequente projetarmos sobre os outros o que não sabemos de nós mesmos. O orgulho e a frágil "segurança" entretanto de nossa racionalidade, não permite que vejamos com bons olhos a idéia de que muito do que somos foge a nossa consciência e portanto ao nosso domínio.
O apóstolo Paulo numa de suas mais belas epístolas, destinada aos Romanos, ele escreve: "...o bem que quero não faço e o mal que não quero, esse eu pratico..."
Fico pensando como a vida poderia ser mais tranquila se, entre outras coisas, fôssemos um pouco mais humildes diante de nós mesmos e como desdobramento, seríamos bem mais tolerantes com o próximo. Aceitando nossas contradições, nossa dificuldade de amar e se deixar amar, nossas falhas, nossa miserável condição, talvez julgássemos menos os outros e conseguíssemos ser mais generosos com nossa própria espécie."
Ana Mariza
O apóstolo Paulo numa de suas mais belas epístolas, destinada aos Romanos, ele escreve: "...o bem que quero não faço e o mal que não quero, esse eu pratico..."
Fico pensando como a vida poderia ser mais tranquila se, entre outras coisas, fôssemos um pouco mais humildes diante de nós mesmos e como desdobramento, seríamos bem mais tolerantes com o próximo. Aceitando nossas contradições, nossa dificuldade de amar e se deixar amar, nossas falhas, nossa miserável condição, talvez julgássemos menos os outros e conseguíssemos ser mais generosos com nossa própria espécie."
Ana Mariza
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
"Diferenças..." (3)
"Acho por vezes engraçado, outras tantas vezes deprimente observar como as pessoas acreditam em si mesmas e fazem delas próprias grandes ídolos, mitos que revestem figuras idealizadas por seus antepassados e, auxiliadas pela literatura de "auto-ajuda," sem que percebam, usam um modo de pensar que teve seu início na Antiguidade Grega,atravessou a Idade Média e chegou ao mundo atual chamado por muitos de Pós-Moderno,tendo seu apogeu no pensamento do filósofo francês René Descartes e sua famosa expressão:"Penso, logo sou".
Fico sempre muito impressionada quando participo de certas conversas e argumentações, em torno de assuntos bastante interessantes até, mas sustentados numa forma de pensar tão antiga, tão pobre e tão reducionista.
O que nem todos sabem é que o grande pensador para formular seu pensamento,criou o método da dúvida, inventou o sujeito da certeza e utilizando a Verdade simbólica da existência de Deus, como garantia do ato de pensar a verdade sobre o ser, inaugurou a Era Moderna.
Filósofo de imensa profundidade em sua argumentação, privilegiou a Razão e proporcionou ao homem assumir o lugar antes ocupado pelos deuses, fundando o surgimento da ciência, da tecnologia e nos legou em consequência uma mítica idéia de autonomia do indivíduo através do uso de sua racionalidade e a permissão para o progresso e mudança nas relações de trabalho,o que propiciou uma relação do homem com o tempo baseada na utilidade.
Chegamos assim, ao século XXI entre otimistas e pessimistas, mas verdadeiramente perplexos com a fragilidade das relações afetivas, as quais em nome da Liberdade se liquefazem sem escrúpulos; enquanto isso, somos consumidos pela corrida em busca de "brinquedinhos" eletrônicos que levam às multidões a falsa impressão de poder sobre a máquina e domínio sobre a vida.
Uns parecem perguntar pelos dois outros pilares da Revolução Francesa: Onde estão a Fraternidade e a Igualdade? Outros, tímidos,diante as incertezas do futuro,tentam ressuscitar lemas da década de 60, do século passado, sem se darem conta do pobre "happening" que foi o "movimento hippie".
Enfim, o que vivemos é uma grande confusão principalmente entre palavras como certeza e verdade (herança cartesiana?) o que simplifica aparentemente o humano e complica a vida: a primeira é geralmente ilusória e a segunda, inexprimível em sua totalidade na linguagem prosaica. Mas como os mitos servem inclusive para apaziguar a angústia de existir e não saber o que isso significa, a ilusão da racionalidade pura, "resolve" o maior dos enigmas e nos deixa arrogantemente aliviados."
Ana Mariza
Fico sempre muito impressionada quando participo de certas conversas e argumentações, em torno de assuntos bastante interessantes até, mas sustentados numa forma de pensar tão antiga, tão pobre e tão reducionista.
O que nem todos sabem é que o grande pensador para formular seu pensamento,criou o método da dúvida, inventou o sujeito da certeza e utilizando a Verdade simbólica da existência de Deus, como garantia do ato de pensar a verdade sobre o ser, inaugurou a Era Moderna.
Filósofo de imensa profundidade em sua argumentação, privilegiou a Razão e proporcionou ao homem assumir o lugar antes ocupado pelos deuses, fundando o surgimento da ciência, da tecnologia e nos legou em consequência uma mítica idéia de autonomia do indivíduo através do uso de sua racionalidade e a permissão para o progresso e mudança nas relações de trabalho,o que propiciou uma relação do homem com o tempo baseada na utilidade.
Chegamos assim, ao século XXI entre otimistas e pessimistas, mas verdadeiramente perplexos com a fragilidade das relações afetivas, as quais em nome da Liberdade se liquefazem sem escrúpulos; enquanto isso, somos consumidos pela corrida em busca de "brinquedinhos" eletrônicos que levam às multidões a falsa impressão de poder sobre a máquina e domínio sobre a vida.
Uns parecem perguntar pelos dois outros pilares da Revolução Francesa: Onde estão a Fraternidade e a Igualdade? Outros, tímidos,diante as incertezas do futuro,tentam ressuscitar lemas da década de 60, do século passado, sem se darem conta do pobre "happening" que foi o "movimento hippie".
Enfim, o que vivemos é uma grande confusão principalmente entre palavras como certeza e verdade (herança cartesiana?) o que simplifica aparentemente o humano e complica a vida: a primeira é geralmente ilusória e a segunda, inexprimível em sua totalidade na linguagem prosaica. Mas como os mitos servem inclusive para apaziguar a angústia de existir e não saber o que isso significa, a ilusão da racionalidade pura, "resolve" o maior dos enigmas e nos deixa arrogantemente aliviados."
Ana Mariza
"Diferenças..." (2)
Fico muitas vezes perplexa com a confusão atual entre palavras que guardam entre si enormes distâncias... Por exemplo: informação, erudição,conhecimento e sabedoria."
A informação é algo que raramente se acumula; tem a característica intrínseca de ser dinâmica, mutável, relativa, efêmera.
Já a erudição é o acumulo de informação, acompanhado geralmente de profundidade em um ou vários assuntos, mas é fruto de grande dedicação intelectual que não necessáriamente implica em mudança ou em transformação pessoal, muito menos em produção criativa sobre a matéria. Creio que todos conhecem alguém que sabe citar grandes filósofos, escritores, poetas ou mesmo grandes descobertas científicas mas que jamais sintetizam o assunto com suas próprias palavras. É claro que existem exceções, mas que apenas confirmam a regra.
Já o conhecimento, pede profundidade não só intelectual, não apenas um esforço de raciocínio, mas torna-se uma elaboração que envolve o estudioso na apropriação do assunto à sua própria vida. Transforma-se no que a famosa filósofa Hanna Arendt chama de práxis, o conhecimento que transforma porque o ser do inteletual se deixa penetrar pelo que lê. Em assim sendo, pessoa pode até recorrer a citações para ilustrar seu pensamento, mas quando fala ou escreve, expressa seu conhecimento renovado por seu estilo. Já não precisa de "autorização" intelectual, de nenhum Outro utilizado como mestre de seu raciocínio ou mesmo e principalmente de sua vida. Sua produção não decorre de um processo de aprendizagem, mas de apreensão. Há uma elaboração composta pelas experiências vividas juntamente com a investigação cuidadosa e dedicada de determinado assunto ou situações. Posso dizer que tenho conhecimento quando consigo transmití-lo de forma singular, sem repetir ou distorcer mas pela intimidade passo a ter autoridade sobre o que digo, isto é, sou autor do que expresso porque a apreensão atravessa o meu viver e se incorpora ao meu cotidiano.
Ah! e a Sabedoria? Esta, só mesmo com letra maiúscula, intervalos e silêncios...A Sabedoria não se presta aos exibicionismos dos inseguros e muito menos às explicações e/ou "retóricas" para convencimento de outrem ou perversas maestrias.
Sabedoria é vida,caminho andado, de pés descalços e corpo desnudo de conceitos e preconceitos, armaduras que só os incautos necessitam...
Sabedoria é sangue quente, olhar profundo, tato, paladar, olfato e audição refinados,em respeito ao Tempo que não recua nem se repete.
Sabedoria é ir, se deixando..."
Ana Mariza
A informação é algo que raramente se acumula; tem a característica intrínseca de ser dinâmica, mutável, relativa, efêmera.
Já a erudição é o acumulo de informação, acompanhado geralmente de profundidade em um ou vários assuntos, mas é fruto de grande dedicação intelectual que não necessáriamente implica em mudança ou em transformação pessoal, muito menos em produção criativa sobre a matéria. Creio que todos conhecem alguém que sabe citar grandes filósofos, escritores, poetas ou mesmo grandes descobertas científicas mas que jamais sintetizam o assunto com suas próprias palavras. É claro que existem exceções, mas que apenas confirmam a regra.
Já o conhecimento, pede profundidade não só intelectual, não apenas um esforço de raciocínio, mas torna-se uma elaboração que envolve o estudioso na apropriação do assunto à sua própria vida. Transforma-se no que a famosa filósofa Hanna Arendt chama de práxis, o conhecimento que transforma porque o ser do inteletual se deixa penetrar pelo que lê. Em assim sendo, pessoa pode até recorrer a citações para ilustrar seu pensamento, mas quando fala ou escreve, expressa seu conhecimento renovado por seu estilo. Já não precisa de "autorização" intelectual, de nenhum Outro utilizado como mestre de seu raciocínio ou mesmo e principalmente de sua vida. Sua produção não decorre de um processo de aprendizagem, mas de apreensão. Há uma elaboração composta pelas experiências vividas juntamente com a investigação cuidadosa e dedicada de determinado assunto ou situações. Posso dizer que tenho conhecimento quando consigo transmití-lo de forma singular, sem repetir ou distorcer mas pela intimidade passo a ter autoridade sobre o que digo, isto é, sou autor do que expresso porque a apreensão atravessa o meu viver e se incorpora ao meu cotidiano.
Ah! e a Sabedoria? Esta, só mesmo com letra maiúscula, intervalos e silêncios...A Sabedoria não se presta aos exibicionismos dos inseguros e muito menos às explicações e/ou "retóricas" para convencimento de outrem ou perversas maestrias.
Sabedoria é vida,caminho andado, de pés descalços e corpo desnudo de conceitos e preconceitos, armaduras que só os incautos necessitam...
Sabedoria é sangue quente, olhar profundo, tato, paladar, olfato e audição refinados,em respeito ao Tempo que não recua nem se repete.
Sabedoria é ir, se deixando..."
Ana Mariza
"Diferenças...(1)"
"Sempre me perguntam qual a diferença entre a Psicologia e a Psicanálise já que superficialmente, as duas "ciências" estudariam o comportamento humano, buscando formas de tratamento que trouxessem o alívio da angústia e das diversas formas com que se apresentam os sintomas de sofrimento.
As diferenças entretanto são radicais, isto é, se tomadas pela raíz: enquanto a Psicologia concebe o homem como um composto bio-psico-social, dando grande ênfase aquilo que ele conhece de si mesmo, à luz de sua consciência, de sua racionalidade, melhor dizendo, tudo quanto ele pensa de si, a Psicanálise tem como campo de estudo e prática, apenas o que nos escapa à consciência; tudo o que sentimos, pensamos, sonhamos, esquecemos e repetimos, sem que tenhamos qualquer controle sobre nossas atitudes. Sentimos como se fôssemos "dominados" por "algo mais forte que nós" e que nos faz repetir infalivelmente nosso "estranho jeito de ser" ainda que saibamos que não deveríamos ou queríamos agir deste ou daquele modo. Entendemos perfeitamente que algo está fora do esperado ou desejado por nós e por aqueles que nos cercam, mas e daí? Conseguimos por isso mudar, porque temos esse conhecimento? Não, pelo contrário, dizemos que é a nossa personalidade e pronto! Acontece que possuímos mecanismos de defesa para não nos angustiarmos com a nossa impotência diante de nós próprios, e nos justificamos, nos explicamos, nos avalizamos em nossa infância, em circunstâncias da realidade, e assim vamos contornando nossa "insuficiência", construindo certezas que nos valem como se verdades fossem, utilizando na maioria das vezes os outros para nos desculpar, e desta forma asseguramos nossa presunção, nosso orgulho, nosso egoísmo, nossas inseguranças, nossas vaidades, nosso famoso EGO. Assim, caminhamos em círculos de auto-enganos e de auto-justificativas pensando que andamos em linha reta, cumprindo nosso destino. Mas, e a Psicanálise? É aí nesta inconsistência, em nossas contradições e na convicção de que não somos o que pensamos, que o psicanalista pode contribuir; com sua escuta paciente, espera o que a pessoa não conhece de si mesmo, mas que aparece nas entrelinhas, nos brancos inexplicáveis do que fala, nos silêncios, nas pausas e nos gestos. O inesperado então, que não se explica nem se justifica, estranho que somos a nós mesmos, surge e surpreende quem antes só se decepcionava.
Quando pela dor, alguém humildemente, se cansa de tentar"driblar" sua impotência, consegue dignamente, viver sua angústia diante da própria vida, e se entrega à escuta de si mesmo, esta pessoa pode acreditar que a vida inclui, mas não se resume ao sofrimento e merece, como dádiva, ser celebrada".
Ana Mariza
As diferenças entretanto são radicais, isto é, se tomadas pela raíz: enquanto a Psicologia concebe o homem como um composto bio-psico-social, dando grande ênfase aquilo que ele conhece de si mesmo, à luz de sua consciência, de sua racionalidade, melhor dizendo, tudo quanto ele pensa de si, a Psicanálise tem como campo de estudo e prática, apenas o que nos escapa à consciência; tudo o que sentimos, pensamos, sonhamos, esquecemos e repetimos, sem que tenhamos qualquer controle sobre nossas atitudes. Sentimos como se fôssemos "dominados" por "algo mais forte que nós" e que nos faz repetir infalivelmente nosso "estranho jeito de ser" ainda que saibamos que não deveríamos ou queríamos agir deste ou daquele modo. Entendemos perfeitamente que algo está fora do esperado ou desejado por nós e por aqueles que nos cercam, mas e daí? Conseguimos por isso mudar, porque temos esse conhecimento? Não, pelo contrário, dizemos que é a nossa personalidade e pronto! Acontece que possuímos mecanismos de defesa para não nos angustiarmos com a nossa impotência diante de nós próprios, e nos justificamos, nos explicamos, nos avalizamos em nossa infância, em circunstâncias da realidade, e assim vamos contornando nossa "insuficiência", construindo certezas que nos valem como se verdades fossem, utilizando na maioria das vezes os outros para nos desculpar, e desta forma asseguramos nossa presunção, nosso orgulho, nosso egoísmo, nossas inseguranças, nossas vaidades, nosso famoso EGO. Assim, caminhamos em círculos de auto-enganos e de auto-justificativas pensando que andamos em linha reta, cumprindo nosso destino. Mas, e a Psicanálise? É aí nesta inconsistência, em nossas contradições e na convicção de que não somos o que pensamos, que o psicanalista pode contribuir; com sua escuta paciente, espera o que a pessoa não conhece de si mesmo, mas que aparece nas entrelinhas, nos brancos inexplicáveis do que fala, nos silêncios, nas pausas e nos gestos. O inesperado então, que não se explica nem se justifica, estranho que somos a nós mesmos, surge e surpreende quem antes só se decepcionava.
Quando pela dor, alguém humildemente, se cansa de tentar"driblar" sua impotência, consegue dignamente, viver sua angústia diante da própria vida, e se entrega à escuta de si mesmo, esta pessoa pode acreditar que a vida inclui, mas não se resume ao sofrimento e merece, como dádiva, ser celebrada".
Ana Mariza
domingo, 2 de outubro de 2011
"A ansiosa solicitude pela vida"
"Por isso,vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?"
Evangelho de Mateus,cap.5:vs.25
Evangelho de Mateus,cap.5:vs.25
"Os Domingos Precisam de Feriados"-por Nilton Bonder
"...Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair - literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida. A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é "o que fazer hoje?" - já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de Domingo..."
"Sobre a Religião"
"Somente poderão compreender a religião os que entenderem sua profundidade, aqueles que puderem combinar a intuição e o amor com o rigor do método, os que forem capazes de encontrar categorias que se amalgamem com metais puros e consigam forjar o imponderável, numa manifestação incomparável, singular.
Abraham Joshua Heschel
Abraham Joshua Heschel
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
"Silêncio da Alma" (1)
"O Senhor está no seu Santo Templo;
cale-se diante Dele toda a Terra."
Livro do Profeta Habacuque cap. 2:vs.20
Da terra, o corpo,
pelos sentidos, a alma.
Como silênciá-la?
cale-se diante Dele toda a Terra."
Livro do Profeta Habacuque cap. 2:vs.20
Da terra, o corpo,
pelos sentidos, a alma.
Como silênciá-la?
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
"Amar a imperfeição"
"Ouví aí umas vezes duzentas o poeta Tonino Guerra citar o verso de um monje medieval: "É preciso ir além da banal perfeição." É isso mesmo: a perfeição pode ainda ser um caminho que trilhamos pela superfície ou constituir uma ilusão que nos impede de aceder ao verdadeiro e paradoxal estado da vida. Levamos tanto tempo até perder a mania das coisas perfeitas, até nos curarmos do impulso que nos exila no aparente conforto das idealizações, ou finalmente vencermos o vício de sobrepor à realidade um cortejo de falsas imagens."
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura(18/09/2011)
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura(18/09/2011)
terça-feira, 27 de setembro de 2011
"Ética cristã"
"A noção do bem e do mal parece ser o alvo de toda a reflexão ética. A primeira tarefa da ética cristã consiste em suspender esste saber... Sabendo do bem e do mal na separação da origem, o ser humano passa a refletir sobre si mesmo.Sua vida, agora,consiste na autocompreensão, como originalmente consistia em seu saber de Deus. O autoconhecimento se tornou parâmetro e objetivo da vida... Autoconhecimento é o inteerminável esforço do ser humano de superar, mediante o pensamento, a desunião consigo mesmo.é o interminável esforço do ser humano de chegar à unidade consigo mesmo.
Todo o conhecer baseia-se agora no autoconhecimento... Agora tudo é arrastado para dentro doprocesso de desunião. Conhecer significa agora estabelecer o relacionamento consigo mesmo, significa reconhecer a si mesmo em tudo e tudo em si mesmo."
Dietrich Bonhöeffer
Todo o conhecer baseia-se agora no autoconhecimento... Agora tudo é arrastado para dentro doprocesso de desunião. Conhecer significa agora estabelecer o relacionamento consigo mesmo, significa reconhecer a si mesmo em tudo e tudo em si mesmo."
Dietrich Bonhöeffer
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
"Um Instante no Eterno"
"Quando pela primeira vez em minha vida errante,ouví o versículo"...o tempo que se chama Hoje", (Carta ao Hebreus,cap.3: vs,13) meus ouvidos reagiram como a um som inédito intransmissível, simultâneamente familiar e absolutamente Desconhecido. Pensando estar só, por um breve instante, tive a estranha sensação de que me haviam suspendido, que meus pés não tocavam o chão e que eu havia sido alçada a um Lugar fora do tempo.
Ana Mariza / 1990
Ana Mariza / 1990
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